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segunda-feira, 28 de maio de 2012

O que sinto por você - De Isabela Arruda para Hélio Cambuí


Achava que não sabia ao certo... e ... 

Na fuga de mim mesma... 
No silêncio dos sentimentos... 
No sossego das emoções... 

No distanciamento dos relacionamentos... 

Nos grifos das exceções...
Perdida entre as multidões 
Num perambulante devir... 
Eis que me apaixonei !!! 
Estranho explicar... 
Melhor sentir, sonhar, viver... 

Poesias e músicas sabem falar como é apaixonar, gostar, desejar, amar 
Não se conter... 

Li muito Drummond 
O poeta de Itabira! 
E fora dele 

Desacreditava nos “romances” 
Então me cedi a amores frios 
E beijos de freelance 

A música de Tom Jobim 
Também me embriagou 
E eu que era triste 

Descrente deste mundo 
Senti suas melodias 
E jorrando de alegria 

Deixei brotar um sentimento profundo 
Parei de ter paixões frias 

Deixando-me enamorar por pessoas “reais” 
Algumas vezes quebrei a cara! 
Mas não por fantasia ou euforia 
Tentei encarar com “alegria” 

As lágrimas eventuais 
Mas o que eu sinto por você? 

Talvez não saiba ao certo... paixão, amor... paixão e amor...? 
Como explicar com palavras algo que se sente? 
Como explicar o que é esse coração acelerado, 
Quando estou ou quando penso em você... 

Ou essa tristeza quando você sai? 
Essa alegria quando você me abraça, 
Ou esse calor imenso quando você me beija? 

Escolhi sentir, me permitir... 
Desdobrei-me fora do tempo 
Mas sem sair de dentro 
Ainda que fora do centro 
Chorei- rindo de mim mesma... 

Não me fiz de difícil 
Tentei me abrir, conferir, seduzir... 
Desequilibrei-me, uau! Caí 
Num “precipício” chamado amor 
E fui caindo ao som de Luz dos Olhos 

Lendo o livro da dor e do amor 
Ao menos feliz 
Ainda não cheguei ao chão... 

Meus pés caminham firmes 
A cabeça é que vive fora de órbita 
Das normas inóspitas 
Sem razão, sem motivos 

Os meus, tão meus modos de viver, sentir, sonhar 
Os nossos bons encontros e por vezes desencontros 
Sinceros e significativos 

Vasculhei minhas lembranças 
A memória se faz presente 
Umas das poucas qualidades... 

Cartografei nossos poucos encontros e as rotas desviantes... 
Com momentos aconchegantes 
Muitos deles como amantes 

As suas palavras, 
O seu nome 
Permeiam os meus sentimentos e pensamentos, 
Por ali, por aqui, por acolá... 
Nos pensamentos, sonhos 
Nos sentimentos, realização... 

Um desejo imenso 
De uma verdadeira paixão 
Assim, 
Diante da renovação do meu ser 

Decreto que tudo isso deve continuar e viver 
A chama do amor deve permanecer! 
Porque mais importante do que merecer você 

É a doce realidade de ter ...

terça-feira, 15 de maio de 2012

Ninguém me venha dar vida - De: Hélio para Isabela





Ninguém me venha dar vida, 
que estou morrendo de amor, 
que estou feliz de morrer, 
que não tenho mal nem dor, 
que estou de sonho ferida, 
que não me quero curar, 
que estou deixando de ser 
e não me quero encontrar, 
que estou dentro de um navio 
que sei que vai naufragar, 
já não falo e ainda sorrio, 
porque está perto de mim 
o dono verde do mar 
que busquei desde o começo, 
e estava apenas no fim. 

Corações, por que chorais? 
Preparai meu arremesso 
para as algas e os corais. 

Fim ditoso, hora feliz: 
guardai meu amor sem preço, 
que só quis a quem não quis. 

Cecília Meireles, in 'Poemas (1947)'