quarta-feira, 23 de maio de 2012

Crítica e Auto-Crítica - Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'


Assim como o homem carrega o peso do próprio corpo sem o sentir, mas sente o de qualquer outro corpo que quer mover, também não nota os próprios defeitos e vícios, mas só os dos outros. Entretanto, cada um tem no seu próximo um espelho, no qual vê claramente os próprios vícios, defeitos, maus hábitos e repugnâncias de todo o tipo. Porém, na maioria da vezes, faz como o cão, que ladra diante do espelho por não saber que se vê a si mesmo, crendo ver outro cão.
Quem critica os outros trabalha em prol da sua própria melhoria. Portanto, quem tem a inclinação e o hábito de submeter secretamente a conduta dos outros, e em geral também as suas ações e omissões, a uma atenta e severa crítica, trabalha na verdade em prol da própria melhoria e do próprio aperfeiçoamento, pois possui o suficiente de justiça, ou de orgulho e vaidade, para evitar o que amiúde censura com tanto rigor. 

Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'

G. F. Handel: Te Deum in D Major "Queen Caroline" (King's Consort et al.)


G. F. Handel: Te Deum in D Major "Queen Caroline"

James Bowman, alto
John Mark Ainsley, tenor
Michael George, bass
Choir of New College, Oxford
King's Consort
Robert King, director

Enoch Seeman: Portrait of Queen Caroline Wilhelmina of Brandenburg-Ansbach as Princess of Wales (1720s)

Alto, Tenor, Bass & Chorus:
We praise thee O God;
We acknowledge thee to be the Lordl.
All the earth doth worship thee,
The Father everlasting.
To thee all angels cry aloud,
The heaens and all the powers therein.
To thee Cherubin and Serpahim continually cry:
Holy, holy, holy! Lord God of Sabaoth,
Heaven and earth are full of the majesty of thy glory.

Tenor solo - Chorus - Bass solo:
The glorious company of the Apostles praise thee;
The goodly fellowship of the Prophets praise thee;
The noble army of Martyrs praise thee,
The holy church throughout all the world
Doth acknowledge thee,
The Father of an infinite majesty,
Thine honourable, true and only Son,
Also the Holy Ghost the Comforter.
Thou art the King of glory, O Christ,
Thou art the everlasting Son of the Father.

Alto & chorus:
When thou tookest upon thee to deliver man,
Thou did'st not abhor the Virgin's womb.
When thou had'st overcome the sharpness of death,
Thou did'st open the Kingdom of Heaven to all believers.
Thou sittest at the right hand of God
In the glory of the Father.
We believe that thou shalt come to be our Judge.
We therefore pray thee help thy servants,
Whom thou hast redeemed with thy precious blood.
Make them to be number'd with thy Saints in glory everlasting.
O Lord, save thy people and bless thy heritage.
Govern them and lift them up for ever.

Chorus:
Day by day we magnify thee,
And we worship thy name for ever world without end.

Alto:
Vouchsave, O Lord, to keep us this day without sin.
O Lord, have mercy upon us,
O Lord let thy mercy lighten upon us
As our trust is in thee.

Chorus:
O Lord, in thee have I trusted;
Let me never be confounded.

Renaissance Trumpet


BAROQUE TRUMPET TUNES (Handel Purcell Clarke Charpentier Mouret)


domingo, 20 de maio de 2012

O Interior da Alma - Victor Hugo - Os Miseráveis

O olho do espírito em parte nenhuma pode encontrar mais deslumbramentos, nem mais trevas, do que no homem, nem fixar-se em coisa nenhuma, que seja mais temível, complicada, misteriosa e infinita. Há um espetáculo mais solene do que o mar, é o céu; e há outro mais solene do que o céu, é o interior da alma. 
Fazer o poema da consciência humana, mas que não fosse senão a respeito de um só homem, e ainda nos homens o mais ínfimo, seria fundir todas as epopeias numa epopeia superior e definitiva. A consciência é o caos das quimeras, das ambições e das tentativas, o cadinho dos sonhos, o antro das ideias vergonhosas: é o pandemônio dos sofismas, é o campo de batalha das paixões. Penetrai, a certas horas, através da face lívida de um ser humano, e olhai por trás dela, olhai nessa alma, olhai nessa obscuridade. Há ali, sob a superfície límpida do silêncio exterior, combates de gigante como em Homero, brigas de dragões e hidras, e nuvens de fantasmas, como em Milton, espirais visionárias como em Dante. Sombria coisa esse infinito que todo o homem em si abarca, e pelo qual ele regula desesperado as vontades do seu cérebro e as ações da sua vida! 

Victor Hugo, in 'Os Miseráveis'

Charpentier - Marche de Triomphe H.547


Philippe Jaroussky, Pascal Bertin, Purcell, Come, Ye sons of art "Sound the trumpet" version "bossa