sábado, 23 de abril de 2011

A mulher fatal na poesia - Obvious, um olhar mais demorado


Se para as artes fogem as intrigas que remoemos, poucos temas se mostraram sempre intrigantes e recrudescedores que o da mulher que, não fazendo parte da ética ou da bondade moral, se revela cruel, demoníaca, apavorante para, por fim, ser irresistível.
Na literatura clássica brasileira são vários os autores e obras que abordam a temática da mulher bestializada que por hora inspira fuga para, em outras, inspirar realmente o desejo. Os comportamentos ambíguos perante elas são muitos, ainda que no Romantismo é que tenham ficado mais patentes.
A professora francesa da Universidade de Toulouse-le-Mirail, Mirelle Dottin-Orsini, em A mulher a que eles chamam fatal vai traçar o panorama do cenário europeu em relação à mulher (passando pela concepção visceral do assunto por Bauldelaire): viam mulheres em toda parte, diz. As artes plásticas não se furtaram em multiplicar o ícone da mulher – idealizada, mas mulher – em todas as formas e representações de idéias, da Tecnologia ou da Ciência. Mas a reprodução excessiva não a tornava mais familiar segundo a autor, ao contrário, agia quase como um exorcismo. A partir da segunda metade do século XIX, a mulher não é mais a Musa, a Madona; ela agora provoca terror; é a filha de Satã, Eva pecadora, uma afronta em suas liberdades cada vez mais amplas.
É o início de uma mitologia que cultua esta entidade misteriosa e sedutora, que pode matar, que é ávida por sangue. Por vezes confunde-se com a figura da megera, talvez não tão favorecida de belos atributos, mas igualmente letal. Esta figura feminina mitológica é aquela que estraga a vida do homem, uma a depravada de imoralidade contagiosa, uma beldade de nefasto poder.
Com o tempo, o mito vira clichê e torna-se simplesmente um chamariz à venda de histórias, mas já está aceito e enraizado - guardando muito de sua essência original - nas escolas literárias brasileiras, tão influenciadas pelos conceitos europeus que faziam já parte de nossa cultura.
Em Álvares de Azevedo, a segunda fase do Romantismo, explora o caráter dual que teria esta mulher fatal: ao mesmo tempo suave e demônio. Destrói de forma sorridente, tortura o poeta com escárnios, mas este prossegue apaixonado.
(...)
Era mais bela! O seio palpitando...
Negros olhos as pálpebras abrindo...
Formas nuas no leito resvalando...
Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti – as noites eu velei chorando,
Por ti – nos sonhos morrerei sorrindo!
Já em Castro Alves, a mulher fatal já está muito perto do inferno. Entrega-se à luxúria seduzindo a todos sem pudor, alimenta-se do sofrimento do que a ama, é o protótipo da vampira que fere muito além da troça; ataca a moral ignorando-a simplesmente, é fria e cruel diante do sofrimento do outro. Em Fabíola, ela é realmente essa assassina lasciva que rega as plantas com o sange do que deveria ser seu bem-amado:
Como teu riso dói... como na treva
Os lêmures respondem no infinito:
Tens o aspecto do pássaro maldito,
Que em sânie de cadáveres se ceva!
Filha da noite! A ventania leva
Um soluço de amor pungente, aflito...
Fabíola!... É teu nome!... Escuta é um grito,
Que lacerante para os céus s'eleva!...
E tu folgas, Bacante dos amores,
E a orgia que a mantilha te arregaça,
Enche a noite de horror, de mais horrores...
É sangue, que referve-te na taça!
É sangue, que borrifa-te estas flores!
E este sangue é meu sangue... é meu... Desgraça!
Também o conhecidamente frio poeta parnasiano foi vitima desta mulher sedutora mesmo entre os panteões gregos. Em Messalina, Olavo Bilac nos apresenta uma mulher uma mulher que vive entre as ruínas, imperiosa, nobre sobre toda a destruição que a orgia ao redor provoca. Messalina figura poderosa, fascina por sua beleza, sua libertinagem e pelo sangue que derrama, amedrontando.
Recordo, ao ver-te, as épocas sombrias
Do passado. Minh'alma se transporta
À Roma antiga, e da cidade morta
Dos Césares reanima as cinzas frias;
Triclínios e vivendas luzidias
Percorre; pára de Suburra à porta,
E o confuso clamor escuta, absorta,
Das desvairadas e febris orgias.
Aí, num trono erecto sobre a ruína
De um povo inteiro, tendo à fronte impura
O diadema imperial de Messalina,
Vejo-te bela, estátua da loucura!
Erguendo no ar a mão nervosa e fina,
Tinta de sangue, que um punhal segura.
Em Augusto dos Anjos encontramos a mulher fatal misturada aos traços chocantes que caracterizaram sua obra, como a exploração intensa do orgânico, do animal...tudo a ponto de provocar mesmo nojo aos caríssimos leitores. Em Versos íntimos, a figura feminina é destruidora por seu abandono violento, ela rejeita ferozmente o poeta não parecendo demonstrar sensibilidade alguma. Mas ainda que liricamente esbraveje impropérios contra ela, é possível identificarmos que a ingratidão e o abandono não foram suficientes para demover o eu-lírico da sedução que a mulher provoca. Torna-se um ícone o dizer: o beijo, amigo, é a véspera do escarro
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
Assim, a mulher fatal pôde estar fortemente no imaginário literário brasileiro, em suas mais diversas facetas, todas destruidoras, assim como ocorrido na Europa. Concluindo com a mesma Dotin-Orsinni: a imagem da mulher fatal, complacente e gratificante no plano da arte, cristaliza de maneira espetacular a ambivalência da atitude masculina diante do feminino (e até aqui nada de novo): fascinação e repulsa, adoração submissa e ódio agudo (poderíamos dizer histérico?), desejo de aconchego e terror incontrolável.


Leia mais: http://obviousmag.org/archives/2007/07/a_mulher_fatal.html#ixzz1KQEyvDwN

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Carla Bruni - L'Amoureuse

Carla Bruni - Quelqu'un m'a dit - (tradução)

A primeira mulher catalogada como pintora na história - Artemisia Gentileschi

Danae

Judite decapitando Holofernes
autorretrato
Numa época em que a pintura era um mundo exclusivamente masculino, não por falta de talentos femininos, mas porque o acesso ao estudo e métier da pintura era reservado aos homens, Artemisia Gentileschi destacou-se neste mundo tornando-se o primeiro grande nome da pintura no feminino.
Artemisia Gentileschi nasceu em Roma em 1593. Era filha de um pintor talentoso Orazio Gentileschi, que dominava muito bem a técnica de claro/escuro, muito na linha de Caravaggio. Artemisia vai ser muito influenciada por estes grandes nomes da pintura barroca.
Depois de receber os primeiros ensinamentos do seu pai, este, perante a impossibilidade desta frequentar a Academia, vai entregá-la aos cuidados de um amigo (Agostino Tassi). Tassi aproveitou-se da juventude e ingenuidade da jovem pintora. Acabou por a seduzir e violar. Esta violação deu origem a um longo, humilhante e penoso processo judicial, a que Artemisia se viu exposta e vilipendiada.
Sabe-se hoje que Tassi acabou por ser condenado a um exílio de Roma por um período de cinco anos. Este exílio acabou por durar apenas quatro meses, graças às influências que ele soube mexer.
A obra de Artemisia vai refletir este desejo de vingança. Neste quadro, tema recorrente na pintora, o general assírio Holofernes é decapitado por Judite, que assim libertou o seu povo (judeu) do jugo dos pagãos. Judite é quase um auto-retrato da própria Artemisia: forte, vingadora e convicta. A degolação pode simbolizar a castração que ela certamente queria infligir ao seu abusador.
A pintora trabalhou arduamente para sustentar a família, visto que o seu marido, que gostava demasiado do jogo, apenas contribuía para que as dívidas se acumulassem.
Durante muito tempo a obra de Artemisia foi injustamente esquecida e por vezes atribuída a seu pai.
Hoje o seu reconhecimento é universal e constata-se que a sua obra contém, em muitos casos, um ponto de vista único, feminino e até feminista, extremamente avançado para a sua época. (Fonte Ao sabor do momento)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Yanni - The Rain Must Fall (Karen Briggs' violin solo)

FREDDIE MERCURY & MONTSERRAT CABALLÉ





From day to day (from day to day)
Who can make me strong (who can make me strong)
In every way (in every way)
Where can I be safe (where can I be safe)
Where can I belong (where can I belong)
In this great big world (in this great big world of
sadness)
How can I forget (how can I forget)
Those beautiful dreams that we shared (those beautiful
dreams that we
shared)
They're lost and nowhere to be found
How can I go on?

How can I go on
How can I go on go on go on go on yeah yeah yeah

Três Tenores - in concert - 1994 - Brasil