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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Caravaggio, sua poética e seus seguidores - por Valquíria Rego em 13 de ago de 2012 às 04:28

Michelangelo Merisi da Caravaggio (Caravaggio, 29 de Setembro de 1571 – Porto Ercole, comuna de Monte Argentario, 18 de Julho de 1610) foi um pintor italiano atuante em Roma, Nápoles, Malta e Sicília, entre 1593 e 1610. É normalmente identificado como um artista barroco, estilo do qual foi o primeiro grande representante. Caravaggio era o nome da aldeia natal da sua família, do qual adotou-o como seu nome artístico.



A mostra de Michelangelo Merisi, mais conhecido como Caravaggio, por ser originário da aldeia Caravaggio, nos mostra diversas obras a respeito do cotidiano italiano da época. Suas pinturas remetem a iconografia usualmente sacra, inserida em seus quadros em uma poética encantadora.

De personalidade irascível, Michelangelo ficou conhecido por seu estilo “tenebrista”, com pinturas que concentram focos de luz no rosto de seus personagens com fundos negros e demonstram a realidade que o pintor queria nos propor.
O artista nos coloca um forte apelo dramático em seus quadros, como por exemplo, o quadro de São Francisco em que o mesmo segura uma caveira e se depara com a morte, - sua intenção é chocar, e mostrar a vida como ela realmente é - com os medos, angústias e agonias que nos cercam, nada é barrado.
A técnica empregada pelo mestre barroco é a do “chiaroscuro” ou “claro – escuro”, em que há o contraste de ambos.
Os objetos, as roupas dos personagens nos mostram bastante esta cena que o pintor queria nos propor com os drapeados fortemente marcados e os acessórios devidamente expostos em seus quadros traduzindo uma semântica realista.
Uma obra que a meu ver é de se contemplar é a da Medusa – personagem mitológica, conhecida pelos seus cabelos de cobra, que ao olharmos para ela supostamente nos transformaríamos em pedra.
Tal retrato nos mostra bem a forte iluminação em seu rosto, em que a mesma possui uma face de pânico, susto, medo, as cobras se encontram de uma maneira em que parecem circular pela cabeça da Medusa como se fossem “devorá-la”, é emblemática no que diz respeito a sua poética.
Pelo seu talento, Caravaggio recebeu muitas encomendas no século XVII, mas devido ao seu forte temperamento sua trajetória teve outros caminhos.
Em 28 de maio de 1606 Michelangelo matou um homem Ranuccio Tomassoni e foi obrigado a fugir desesperadamente.
Anos posteriores, aproximadamente em 1610 Caravaggio retorna a Roma com a intenção de ficar por lá,porém,foi detido em Palo para inspeções.Neste mesmo ano o artista não suportou,por estar exausto e febril faleceu na cidade de Porto Ecole ,no dia 18 de julho de 1610 aos 38 anos de idade.
E a exposição nos mostra este majestoso legado do artista traduzido em suas obras.

Seus seguidores –

Muitos pintores, seguiram o modo de pintar de Caravaggio, com a iluminação forte no rosto dos seus personagens contemplando esta cena com a luz forte e direta.
Giovani Baglione,Tommaso Salini,Gentileschi ,Carlo Saraceni e Orazio Borgianni são alguns expoentes que aderiram ao estilo “caravaggista” de pintar.
Aliás,como diz a curadora “Rossella Vodret” ,os dois últimos citados acima,utilizaram uma nova linguagem – sobretudo o uso da luz – aos modelos formais e de composição ligados à tradição do final do século XVI.”
Tais caravaggescos foram muito importantes para a difusão do estilo de Caravaggio,nos deixando traços imortais de suas obras.


Leia mais: http://lounge.obviousmag.org/arterolandoproseando_e_musicando/2012/08/caravaggio-sua-poetica-e-seus-seguidores--.html#ixzz23kqUXbij



sexta-feira, 22 de abril de 2011

A primeira mulher catalogada como pintora na história - Artemisia Gentileschi

Danae

Judite decapitando Holofernes
autorretrato
Numa época em que a pintura era um mundo exclusivamente masculino, não por falta de talentos femininos, mas porque o acesso ao estudo e métier da pintura era reservado aos homens, Artemisia Gentileschi destacou-se neste mundo tornando-se o primeiro grande nome da pintura no feminino.
Artemisia Gentileschi nasceu em Roma em 1593. Era filha de um pintor talentoso Orazio Gentileschi, que dominava muito bem a técnica de claro/escuro, muito na linha de Caravaggio. Artemisia vai ser muito influenciada por estes grandes nomes da pintura barroca.
Depois de receber os primeiros ensinamentos do seu pai, este, perante a impossibilidade desta frequentar a Academia, vai entregá-la aos cuidados de um amigo (Agostino Tassi). Tassi aproveitou-se da juventude e ingenuidade da jovem pintora. Acabou por a seduzir e violar. Esta violação deu origem a um longo, humilhante e penoso processo judicial, a que Artemisia se viu exposta e vilipendiada.
Sabe-se hoje que Tassi acabou por ser condenado a um exílio de Roma por um período de cinco anos. Este exílio acabou por durar apenas quatro meses, graças às influências que ele soube mexer.
A obra de Artemisia vai refletir este desejo de vingança. Neste quadro, tema recorrente na pintora, o general assírio Holofernes é decapitado por Judite, que assim libertou o seu povo (judeu) do jugo dos pagãos. Judite é quase um auto-retrato da própria Artemisia: forte, vingadora e convicta. A degolação pode simbolizar a castração que ela certamente queria infligir ao seu abusador.
A pintora trabalhou arduamente para sustentar a família, visto que o seu marido, que gostava demasiado do jogo, apenas contribuía para que as dívidas se acumulassem.
Durante muito tempo a obra de Artemisia foi injustamente esquecida e por vezes atribuída a seu pai.
Hoje o seu reconhecimento é universal e constata-se que a sua obra contém, em muitos casos, um ponto de vista único, feminino e até feminista, extremamente avançado para a sua época. (Fonte Ao sabor do momento)